Nossa chegada em La Paz foi à noite debaixo de uma certa chuva, turbulências e ainda, marcada pelo
soroche (mal da altitude).
Como nossa subida não foi gradual, contrário a quem vai de ônibus, o impacto da altitude foi forte, principalmente para o Tales, que sentiu quase tudo: tonteira, dor de cabeça e náusea. Já eu, senti apenas aquela sensação de "estar zonza", flutuando, logo que desci do avião.
E olha, que seguimos bem as orientações de tomar as chamadas "soroche pills", vendidas em qualquer farmácia boliviana. Trata-se basicamente de uma combinação de cafeína e AAS.
Mas como disse um conhecido meu que está morando na Bolívia, a regra para sentir-se bem costuma ser
caminar despacito y comer poquito, ou seja, não sobrecarregar nossos sistemas respiratório, circulatório e digestivo, para evitar o famoso
soroche.
Deixando o soroche de lado, meu maior incômodo na chegada a La Paz, foi a condução que pegamos para nos levar ao
Albergue. Era noite, chovia, o aeroporto estava fechando (olha que era o internacional) e nada de taxi, apenas uns carros tipo perua (Marea, Quantum, etc.) faziam esquema lotação para a cidade. O problema foi que só havia lugar para uma pessoa, mas o "jeitinho" boliviano associado ao brasileiro, transformou aquele carro num coração de mãe. Ainda bem, caso contrário não sei como sairíamos da frente do aeroporto que nessa altura já estava fechado e ficando deserto. Se somarmos o frio, chuva e soroche, o quadro não seria nada divertido.
Então encaramos o carro, sentamos no banco da frente, nada de cinto de segurança (aliás deu pra notar que segurança e Bolívia não combinam muito) e o nosso motorista estava numa velocidade considerável, em descida constante, sob chuva e numa via de mão dupla. A essa altura o meu anjo da guarda estava me xingando, por tê-lo metido nessa roubada. Mas, como ele é fiel, chegamos.
Estar na capital mais alta do mundo (3.660 m de altitude) é interessante, deu para entender perfeitamente porque a Bolívia sempre ganha em casa desde o futebol até a competição de bolinha de gude. Qualquer esforço que se faça é grande para os mortais que vivem ao nível do mar.
A geografia de La Paz é contrastante! A cidade preenche um vale, desde as laterais até embaixo, com várias casas em suas encostas, semelhante a uma favela, e ao fundo observamos a branquíssima e exuberante
Illimani, ponto culminante da
Cordillera Real.



A via que se percorre para chegar a região de El Alto (onde fica o aeroporto), segue contornando a borda do vale, passando por áreas íngremes e com alguns penhascos (Lembra da história do "taxi"? O caminho é o mesmo!), aos poucos ganhamos a visão panorâmica da cidade e da Cordilheira.



Passamos pouquíssimo tempo em
La Paz, na realidade apenas uma manhã de domingo, de lá alugamos um carro e seguimos em direção a
Tiwanaku. Mas tivemos a oportunidade de ver uma passeata contra as drogas, com a participação de crianças, grupos escolares e também militares, parecia algo como um desfile ou parada, pois estava muito organizado.


Visitamos a belíssima
Iglesia de San Francisco, que estava em reforma e circulamos um pouco pelo centro. Tudo beeem devagar, afinal o oxigênio estava em baixa!





Sem dúvida alguma, La Paz merecia ao menos um dia inteiro, principalmente para o organismo se adaptar a altitude, além de visitar outras regiões da cidade, mas nosso tempo estava escasso e fizemos o que pudemos da melhor forma. Mas quem sabe numa próxima vez...
Fotos: Tales Lobosco e Zuca (N. Gastão)